Aqui, hoje e agora vejo que fiquei perdida, sozinha sem qualquer amparo. Tentando a cada dia convencer-me de que o sentimento vai passar, finjo que não há tal existência. Penso que é apenas tudo uma ilusão, mas amar há tanto tempo e com tal intensidade só me deu cada vez mais a certeza de que tudo isto, tudo aquilo que fomos, o quanto amamos, ao que sobrevivemos, contra o que lutamos, pensei que iria ser eterno (...) Cometem-se erros, graves. Tomam-se as decisões que são de todo as não aconselháveis, mas que para nós, na altura, nos pareciam acertadas. Engano-me por pensar que te irei esquecer, não quero esquecer o que me marcou para uma vida inteira, tentei vezes sem conta, mas cansei-me. Cansei-me de lutar contra o impossível, contra mim mesma. Para quê, dizer que odiamos, se na verdade, se no nosso coração, temos a certeza que essa pessoa é o nosso mundo, que é completamente tudo para nós? Quantas mais pancadas com a cabeça temos que dar, para que percebamos que o que é verdadeiro, jamais irá deixar de existir, por muito que nós queiramos? É tudo tão bonito quando está tudo bem, mas quando tudo isso se desmorona, a (suposta) magia deixa de existir, tudo parece virado do avesso. E o que fazemos nós? Nós matamo-nos, somos nós que damos cabo de nós mesmos. Nós que fazemos sofrer os dois, é sempre culpa nossa se nada dá certo. E o amor não é tentando que se torna eterno, o amor não tem segredo para durar para sempre, é apenas amar sem recear, amar sem olhar a meios, aparência (..) só coração, coração e coração! Se é só nosso porque havemos de nos importar com coisas de fora, porquê não tomar conta dele, não aperfeiçoar o nosso amor e torná-lo belo? Amar, digam o que disserem, é dos sentimentos mais bonitos, há sempre aquele tempo em que nos sentimos bem, e que por muito curto espaço de tempo que seja, é amor, por pouco desejado que seja. É como se diz “o amor é eterno, ou se ama para sempre, ou nunca se amou verdadeiramente”, por isso, por muito que se faça, por muita coisa que se diga, tenho que continuar a resistir a este desejo, a esta vontade de te querer perto, de querer fazer de ti uma obsessão, não é saudável, mas já foi uma obsessão, já foi tudo. Desde ódio, prazer, saudade, amor, felicidade, o amor já teve de todo o tipo de sentimento, mas por muito forte que eu me quisesse mostrar, sabiam sempre que ele me tocava, e não desminto. Ele toca-me, mexe ainda bastante comigo, mas pela minha felicidade, por me querer bem a mim própria, vou ter que o esquecer. Ter só comigo a saudade, saber que isso não me chega. Ainda me assusta mais, saber que vou continuar este caminho sozinha, sem o seu ombro como apoio. Mas vou tê-lo sempre na alma, pelo que passamos, que foi absolutamente de outro mundo, um sentimento completamente inexplicável. Quem diria que algum dia ía tudo acabar? Sempre me disseram “vocês são do tipo de namorados, que começam na adolescência, ainda casam e têm filhos”, isto afecta quando me lembro de todo o tipo de coisas que ouvia quando “nós”, existíamos. Ele, nem é preciso dizer nome que é logo directo, ele amou-me, eu não o amei como devia, ele respeitou-me, eu não, ele abriu-me o mundo dele, eu não lhe abri o meu. Ele fez tudo para que continuasse tudo bem, eu deixava andar e dizia que a culpa era dele, sem nunca olhar para mim, ele é que endireitava a situação, só tenho a agradecer-lhe a paciência e a dedicação que ele teve perante tudo. De resto, “não chores porque acabou, sorri por ter acontecido”(; ~ P.
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